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A NOVA HUMANIDADE


 

Segundo o Apóstolo Paulo, Deus, em Cristo, está criando uma nova humanidade. A atual, marcada pelo pecado, violência e morte, estabeleceu-se após a decisão adâmica de não seguir as orientações divinas (Gênesis 2.16,17). Contudo, este sistema mundial, em que vivemos, não subsistirá eternamente, pois encontra-se reservado para a destruição. Veja o que diz o Apóstolo Pedro: “...os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo, guardados para o dia do juízo e para a destruição dos ímpios” (2Pedrod3.7). 

Essa nova humanidade é composta por aqueles que, ao se despertarem para a vida com Deus, são como que gerados de novo. O pecado e a morte não têm mais poder sobre eles, pois a fé no Cristo ressurreto os justifica (Romanos5.1). Paulo, escrevendo aos Efésios disse: “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados... Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida juntamente com Cristo... (Efésios 2:1,4,5). Assim, ao recebermos Cristo em nossa vida, somos feitos filhos de Deus (João 1:12,13), gerados pelo próprio Deus. 

Esse tema da “nova criação” (καινη κτισις), ou também do “novo homem”, da “nova humanidade” (καινος ανθρωπος) encontra-se em diversos textos da extensa literatura paulina. De acordo com esse Apóstolo, é a recriação de “todas as coisas” (τα παντα): o homem, de per si; o conjunto da humanidade; e o próprio mundo natural. Para ele, a obra de Cristo produziu uma disjunção radical entre “as coisas antigas” e “as novas”, isto é, entre a velha e a nova ordem mundial (2Coríntios 5.17,18). 

No tocante ao homem convertido, Paulo, escrevendo aos Efésios, afirmou que ele é “criação de Deus realizada em Cristo Jesus”. Cristo é o modelo, a substância na qual esse “novo homem” é criado. O Apóstolo usou a palavra que, no Português, é traduzida por poema, para designar “criação”: “αυτου γαρ εσμεν ποιημα” - porque somos criação de Deus - (Efésios 2.10). É como se ele quisesse dizer que o “novo homem é um poema de Deus”. Poema para uma nova vida, em santidade com Cristo. 

Quanto ao conjunto da nova humanidade, este é constituído por cristãos judeus e gentios “de todas as tribos línguas e nações”. Os judeus se vangloriavam de terem recebido a Lei de Deus e se consideravam seu único povo. Paulo, porém, mostrou que os gentios, como “oliveira brava”, foram enxertados na “oliveira cultivada” por Deus” – Israel (Romanos11.17). Por isso, escrevendo aos Efésios, o Apóstolo disse que Deus, em Cristo, acabou com a separação entre gentio e judeu e fez, de ambos, um “novo homem” (2.15). Para ele, “de nada vale ser circuncisão ou não”, isto é, judeu ou gentio (não judeu). O que importa é ser nova criação” e esta é a Igreja de Cristo, o novo “Israel de Deus” (Gálatas 6.15,16; Romanos 9.6; Filipenses 3.3). 

Por fim, para o Apóstolo dos Gentios, essa nova humanidade constitui o propósito que Deus estabeleceu, em Cristo, de reunir “todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos” (Efésios1.9,10). Pois “a própria natureza criada aguarda, com expectativa” esse momento, quando, então, será “libertada da escravidão da decadência” a que ficou sujeita na Queda (Romanos8.18-25). Esse novo homem é o início da nova criação que se consolidará no fim dos tempos, conforme observou o Apóstolo João: “aquele que estava assentado no trono disse: estou fazendo novas todas as coisas” (Apocalipse 21.5).

Antônio Maia – M.Div.

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