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A IGREJA E A GRANDE TRIBULAÇÃO





Neste exato momento, milhares de petroleiros e outros navios de transporte de commodities se encontram estacionados, ao redor do mundo, por conta de um ser microscópico que paralisou todo o sistema humano. O comércio mundial, praticamente, estagnou e com isso já está elevando o desemprego, o que pode gerar, ainda mais, fome e violência, aumentando a angústia de milhares de pessoas que já sofrem com as mortes de seus queridos em todo o planeta. É um cenário pré-apocalíptico. Se já estamos sofrendo com a situação atual, o que dizer quando mísseis balísticos com ogivas nucleares começarem a cair nas principais cidades do mundo, por ocasião da abertura dos primeiros “selos”?

O presente texto trata sobre a questão da grande tribulação e a Igreja de Cristo. A Igreja passará por esse período de sofrimento mundial? Jesus falando sobre os acontecimentos do fim do mundo, disse aos discípulos que “haverá grande tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá” (Mateus24:21). Mas essa afirmação não constitui uma novidade trazida por Jesus. O profeta Daniel, cerca de 560 antes, falou sobre esse evento do fim dos tempos. Ele escreveu: “naquela ocasião Miguel, o grande príncipe que protege o seu povo, se levantará. Haverá um tempo de angústia como nunca houve desde o início das nações até então. Mas naquela ocasião o seu povo, todo aquele cujo nome está escrito no livro, será liberto” (Daniel 12:1). 

Essa “grande tribulação”, no entanto, não chegará de repente. De acordo com Jesus, ela será precedida por um período que Ele chamou de “o início das dores”. Nesse período acontecerá os sinais que apontarão para aquele momento de grande sofrimento para a humanidade. Jesus fala, então, que muitos aparecerão em seu nome, dizendo “Eu sou o Cristo”, “haverá guerras e rumores de guerras”, “haverá fome e terremotos em vários lugares” (Mateus24:1-8). Ele também disse que será um tempo de muito ódio e perseguição aos que temem a Deus (Lucas21:12-18) e que também haverá “pestes”, como essa pandemia pela qual passamos. Note-se, contudo, que não se estar afirmando, aqui, que o “início das dores” do qual falou Jesus já chegou.

A grande questão que aflige muitos cristãos, nesse contexto, é a dúvida sobre se a Igreja passará ou não por esse período de sofrimento. Muitos ensinam que ela não passará, pois será arrebatada antes. De fato, Paulo, escrevendo aos Tessalonicenses, falou sobre o arrebatamento da Igreja, evento esse que retirará os cristãos da Terra e promoverá o encontro deles com Cristo, em seu reino. O Apóstolo ensina que “dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre” (1Tessalonicenses4:16,17).

Ocorre, contudo, que não há, na Bíblia, um único versículo que afirme que a Igreja de Cristo não passará pela grande tribulação. Mas há muitos que mostram que o cristão é chamado para dar testemunho de Deus e isso tem um preço. Deus não poupou os primeiros cristãos do sofrimento que passaram por causa do evangelho, o que garantiu ele chegar até os dias atuais. Não poupou os que foram afligidos nos regimes totalitários, no século passado, e os que até hoje sofrem nos países que perseguem os cristãos, bem como aqueles que tiveram suas vidas ceifadas pelos radicais islâmicos, recentemente. Paulo escrevendo aos Filipenses, disse: “não importa o que aconteça, exerçam a sua cidadania de maneira digna do evangelho de Cristo... lutando unânimes pela fé evangélica... pois a vocês foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele, já que estão passando pelo mesmo combate que me viram enfrentar e agora ouvem que ainda enfrento” (1:27-30). 

Sim, a Igreja de Cristo passará pela grande tribulação, segundo as Escrituras. O livro de Apocalipse fala de pessoas debaixo do altar de Deus que morreram “por causa da Palavra de Deus e do testemunho que deram” durante a grande tribulação. Também há o relato de uma grande multidão de todas as nações, povos e línguas “que vieram da grande tribulação” (6:9-11; 7:9,14). Essa profecia mostra, cristãos, na grande tribulação, dando testemunho com o sacrifício de sua própria vida. Com respeito ao arrebatamento, os estudiosos o identificam, nela, apenas no final, no capítulo 19. Cabe ainda dizer que Jesus falando aos discípulos sobre aqueles dias de angústia e tribulação disse: “se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém sobreviveria; mas, por causa dos eleitos, aqueles dias serão abreviados” (Mateus 24:22). Há eleitos na grande tribulação. Há uma igreja na grande tribulação, dando testemunho de Deus, e essa igreja é a Igreja de Cristo.

Antônio Maia - M.Div.

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