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NOVO CÉU E NOVA TERRA




O mundo vive dias em que milhões de pessoas, em todo o mundo, encontram-se em confinamento social para conter a pandemia de coronavírus. Uma das consequências desse fato é a considerável redução do nível de dióxido de carbono na atmosfera do planeta. O ar está mais puro e limpo e as paisagens mais nítidas por causa da diminuição da poluição em decorrência da redução da atividade industrial e do sistema humano. Isso faz lembrar um tema teológico pouco falado na Igreja, mas que constitui a consumação do plano divino de redenção da humanidade e do cosmos: “novos céus e a nova terra”.

Segundo a Escritura, após concluir a criação do mundo e do homem, “Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom...” (Gênesis1:31). Não apenas o homem fora criado perfeito, mas também o próprio cosmos. Ocorre, porém, que o homem, no Éden, estava em um estado de provação e veio a cair. Assim, após o seu pecado, tanto a natureza humana quanto a Criação se desestruturaram. “A transgressão de Adão interrompeu toda a ordem de coisas que Deus havia criado” (PACKER, 2017, p.1092). E por isso Deus disse a Adão: “maldita é a terra por sua causa”. O cosmos perdeu sua harmonia e se tornou um lugar perigoso e de sofrimento.

Essa ideia de desestruturação do cosmos está presente ao longo da Bíblia. O Apóstolo Paulo, por exemplo, fala que “a natureza criada... foi submetida à inutilidade”, isto é, não cumpre mais o propósito para a qual foi criada. Ela se encontra em um estado de “escravidão da decadência” e “geme até agora, como em dores de parto” (Romano8:18-22). Parker (2017, p.1058), falando sobre isso, afirma que “Paulo estava dando a entender que a criação (isto é, a natureza) retrocedera para o caos”, o que explica a natureza selvagem e sanguinária dos animais (cf Isaías11:6-9), os terremotos, as epidemias e outras inquietações da Criação.

Por essa razão se observa, ao longo da Escritura, passagens que falam da restauração desse universo. O profeta Isaías vai ser o primeiro a falar de “novos céus e nova terra” (65:17; 66:22). Depois, o Senhor Jesus fala de um tempo de “regeneração de todas as coisas, quando o Filho do homem se assentar em seu trono glorioso” e de um “Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mateus 19:28; 25:34). E o Apóstolo Pedro também falou: “esperamos novos céus e nova terra, onde habita a justiça” (2Pedro3:13).

Mas para que a redenção da Criação divina (cosmos e humanidade) aconteça é preciso que venha a Grande Tribulação, sobre a qual falou Jesus (Mateus24:21), e na qual este mundo e o sistema humano serão destruídos e Deus, então, estabelecerá uma nova ordem de coisas. O Apóstolo Pedro apresenta um vislumbre desse acontecimento. Ele diz: “os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo, guardados para o dia do juízo e destruição dos ímpios... O dia do Senhor, porém, virá como ladrão. Os céus desaparecerão com um grande estrondo, os elementos serão desfeitos pelo calor, e a terra, e tudo o que nela há, será desnudada (2Pedro3:7-13).

É preciso que essa terra seja destruída e restaurada, pois ela não comporta a humanidade em seu estado de glória. Após a ressurreição, os homens terão um corpo semelhante ao de Jesus, glorificado. Veja o que diz Paulo: “pelo poder que o capacita colocar todas as coisas debaixo de seu domínio, ele transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhante ao seu corpo glorioso” (Filipenses 3:21). Outra razão é que nos “novos céus e na nova terra”, o próprio Criador estará presente. João diz: “o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão o seu povo, o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus” (Apocalipse 21:3).   

É altamente relevante o fato de que a Escritura termina com a humanidade e o universo restaurados, em um estado superior ao do Éden. Superior porque a condição de glória e perfeição humanas dispensa a necessidade de provação como no início. Adão caiu, mas Cristo, “o último Adão” (1Coríntios 15:45), representando a humanidade, venceu o pecado e a morte e abriu um caminho que leva o homem de volta a Deus. Observe que na nova Jerusalém é marcante a presença da “árvore da vida”, mas não há, nela, a “árvore do conhecimento do bem e do mal” (Apocalipse 22). É preciso atentar com temor as palavras “do que está assentado no trono”, que diz: “estou fazendo novas todas as coisas” (Apocalipse 21:5).

Antônio Maia - M. Div.

Direitos autorais reservados

PACKER, James I. Vocábulos de Deus. São Paulo




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