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O CORPO ESPIRITUAL




Segundo o Gênesis, Deus, ao criar o homem, fez o seu corpo do pó da terra e “soprou em suas narinas o fôlego de vida”, tornando-o um “ser vivente” (2.7). Assim, o ser humano é, misteriosamente, uma síntese de matéria e espírito. Blase Pascal já tinha refletido sobre essa complexidade: “o homem é em si mesmo o objeto mais prodigioso da natureza, pois não pode conceber o que é ser corpo e, menos ainda, o que é ser espírito e ainda menos de que modo um corpo pode estar unido a um espírito”.  

Ninguém jamais conseguiu explicar esse mistério de como “um corpo pode estar unido a um espírito”. Porém, essa união foi comprometida na Queda, quando o homem decidiu afastar-se de seu Criador. O ser humano, que só existe nessa união, que só é feliz nessa síntese, passou a ver a sua desintegração. Agora, se o corpo adoece, o espírito se abate; se este sofre, surgem enfermidades no corpo. Se essas enfermidades progridem até à morte, a síntese se desfaz. Este é o maior de todos os medos humanos: morrer e ter o espírito separado do corpo que entrará em decomposição. 

O Apóstolo Paulo revelou esse pavor, escrevendo aos Coríntios. Em um texto complexo, ele fala do medo de morrermos e sermos apenas espírito sem corpo. É verdade que esse nosso corpo terreno que temos nos faz sofrer, porém não gostaríamos de pensar em morrer e depois possuir corpo algum (2Co5.3,4). Essa é a situação dos que não creem em Deus e não confiam no sacrifício de Cristo. Mas quanto aos que esperam no Filho de Deus, o Apóstolo revelou que há preparado para esses um novo corpo, um “corpo espiritual”, que receberão na ressurreição dos mortos (2Co5.1). 

O Apóstolo falou sobre esse corpo: “se há corpo natural, há também corpo espiritual ... irmãos, eu lhes declaro que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus ... eis que lhes digo um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, em um abrir e fechar de olhos ... os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Pois é necessário que aquilo que é corruptível se revista de incorruptibilidade, e aquilo que é mortal se revista de imortalidade ... então se cumprirá a palavra que está escrita: a morte foi destruída pela vitória”, a vitória de Cristo na cruz (1Co15.44-54).

A morte, esse mal que aflige a humanidade, será destruída na ressurreição dos mortos, quando aqueles que esperam em Cristo terão seus espíritos vivificados e seus corpos transformados.  Pois, segundo Paulo, é da vontade de Deus que aqueles que nele confiam sejam “conformes à imagem de seu Filho” (Rm8.29). Em carta aos Filipenses, ele disse: “a nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo ... ele transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhantes ao seu corpo glorioso” (3.20,21). Essa é a esperança dos cristãos e a mensagem do evangelho de Cristo.

Antônio Maia – M.Div

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