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A NATUREZA DA FÉ CRISTÃ


Qual a natureza da fé cristã? Essa é uma questão ampla que pode ser tratada sob diversos aspectos. Por essa razão, nesta postagem, vou ater-me a falar dela, da fé cristã, apenas enquanto estrutura de conceitos e disposição do espírito humano para crer e aproximar-se de Deus. Esse tema guarda especial relevância, pois só pela fé o pode alcançar Deus. A fé é a linguagem pela qual lemos e entendemos Deus. 

A fé cristã é o termo usado para designar a grande estrutura de conceitos, eventos, narrativas e personagens que aparecem no processo de Revelação divina à humanidade. Ela afirma que o mundo e o homem foram criados por Deus; que o ser humano viveu um tempo na presença divina, em estado de perfeição; que ele, numa decisão própria, afastou-se do Criador e perdeu-se, vindo a deteriorar-se e a viver num processo de corrupção física e espiritual que culmina na morte (Gênesis 1-3).

Ela também professa que o próprio Criador entrou na humanidade, por meio do Filho, para abrir um caminho que permita o homem retornar à sua condição original; que esse caminho é a fé no sacrifício do Filho, na cruz, em favor da humanidade; e que o atual sistema humano em que ora vivemos vai ter um fim, quando Deus instaurar uma nova ordem mundial, na qual Ele próprio viverá novamente na presença dos homens. Segundo o livro de Apocalipse, nesse novo mundo, “não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (21.4,5).

É verdade que o Apóstolo Paulo disse que “a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Romanos 10.17). Contudo, uma pessoa pode ser educada em toda essa estrutura de conceitos e não alcançar a fé, no seu sentido intrínseco, isto é, não se dispor a crer e a confiar em Deus e no seu Filho. Ela pode até se dizer cristã e ir eventualmente à igreja, mas no íntimo, não crer e vive segundo orientação própria. São os chamados cristãos nominais que, embora professem uma religião dita cristã, não tiveram um encontro pessoal com Deus.

Essa fé, que o autor de Hebreus definiu como “a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (11.1), de fato vem pela pregação do evangelho. Mas ela não constitui uma consequência imediata e automática do anúncio. Também não é uma conquista humana, mas um dom de Deus para aquele que, “de todo o coração” o busca e se abre para a ação do Espírito Santo em sua vida. 

Certa vez, Jesus disse a um grande conhecedor das Escrituras: “digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito. Não se surpreenda pelo fato de eu ter dito: É necessário que vocês nasçam de novo” (João 3.5-7). A fé cristã chega ao coração do homem por um milagre, uma obra do Espírito de Deus que Jesus chamou de “nascer de novo”. Esse “nascimento do Espírito” é uma ação divina no interior daquele que se rende a Deus; é um nascer para a vida e a realidade espiritual.   

Antônio Maia - M.Div.

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