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UM CORPO GLORIFICADO

 


Por que os seres humanos morrem? Por que existe a morte na humanidade? De acordo com as Escrituras, o homem foi criado perfeito de modo que sua compleição original suportava até a presença do seu Criador. Diferente dos anjos, que são seres espirituais, os seres humanos são constituídos de “uma síntese de espírito e matéria” [1], uma unidade psicossomática. Diz o texto sagrado: “Então o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente” (Gênesis 2:7; Jó 27:3; 33:4).

Essa união do espírito à matéria é um dos grandes mistérios do ser do homem. O pensador cristão, francês, Blaise Pascal refletindo sobre essa questão, observa: “afinal, o que é o homem na natureza?... O homem é em si mesmo o objeto mais prodigioso da natureza, pois não pode conceber o que é ser corpo e menos ainda o que é ser espírito e ainda menos de que modo um corpo pode estar unido a um espírito. É esse o cúmulo da dificuldade máxima e, não obstante, a sua própria essência” [2].

Ocorre, contudo, que essa síntese, essa unidade espírito-corpo foi alterada, na ocasião da Queda, isto é, no momento do pecado original. Naquele ato, o pecado desorientou o espírito do homem, impossibilitando-o de continuar a viver na presença de seu Criador. O espírito humano passou a não mais discernir, enxergar e compreender a Deus, outro aspecto da morte espiritual. A outra consequência do primeiro pecado humano foi a deterioração do corpo, que antes era dotado de vida eterna (Gêneses 2.17), mas, agora, progride em uma trajetória que culmina na morte física (Gênesis3:19). 

Desse modo, o homem vive, hoje, a morte de seu ser original. A síntese se desintegrou, de forma que espírito e corpo já não constituem uma integridade única. Estão como que “descolados” um do outro. O espírito já está morto em relação à Deus e o corpo logo vai se decompor na terra para qual retornará (Gênesis3:19). É fato, contudo que, nessa existência pós Queda, espírito e corpo ainda constituem o homem, mas eles subsistem em descompasso. O espírito sonha, mas o corpo nem sempre o acompanha em seus desejos. Isso é mais, facilmente, notado na velhice. 

Esse, então, é o drama humano: nascer para morrer e partir para uma existência eterna, separada do Criador, no molde de um ser indefinido, incompleto e disforme, um espírito sem corpo, em um “lago de fogo” (usando a linguagem de Apocalipse 20:15). Sim, pois o homem só se define em Deus e sua existência só encontra sentido nos propósitos de seu Criador. Por essa razão, a vida que o homem vive hoje, em seu estado de Queda, expulso do Éden, é uma dádiva divina, pois, nela o homem tem a chance de tomar o caminho de volta à presença de Deus por meio da fé no sacrifício de seu Filho, Jesus Cristo.

Jesus Cristo é o próprio Deus que entrou na humanidade como todos os seres humanos, fruto, porém, de um milagre, pois foi concebido pelo Espírito de Deus, sem pecado e sem a participação masculina, no ventre de uma virgem. Um homem perfeito com um espírito e um corpo. Depois de viver, santamente, e inaugurar o Reino de Deus, seguiu o caminho de toda a humanidade, morrendo em uma cruz. Mas ao terceiro dia, o Espírito de Deus o ressuscitou dentre os mortos, voltando à vida em um corpo glorificado. A morte e ressurreição de Cristo abriu o caminho para a ressurreição dos mortos. Assim, todo aquele que recebe a Cristo como Senhor e salvador ressuscitará, no Dia do SENHOR, com um corpo glorificado à semelhança do de Jesus. Isso significa o fim da morte (1Coríntios15:54).   

O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, comenta essa questão, afirmando que o cristão não corre o risco que o ímpio, isto é, aquele que não teme a Deus, corre. Ou seja, morrer e ficar sem um corpo. Ele afirma que se “for destruída a temporária habitação terrena em que vivemos”, isto é, o corpo, o cristão tem um outro, “nos céus”, preparado por Deus (2Coríntios 5:1-10). Por isso, Paulo fala, em outra oportunidade, que “há corpos celestes e há também corpos terrestres... Se há corpo natural, há também corpo espiritual” (1Coríntios15:40,44). 

Esse Apóstolo ensina: “eis que lhes digo um mistério: nem todos dormiremos [morreremos], mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta... os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados” (1Coríntios15:51,52). Veja o que ele diz aos Filipenses: “pelo poder que o capacita colocar todas as coisas debaixo de seu domínio, ele [Jesus] transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhante ao seu corpo glorioso” (3:21). Assim, o cristão, que deposita sua fé no sacrifício de jesus, experimentará a glória de retornar à presença de Deus com seu espírito vivificado e seu corpo glorificado, pronto para viver conforme os propósitos para os quais foi criado.

Antônio Maia – M.Div.

Direitos autorais reservados

KIERKEGAARD, Soren A. O Conceito de Angústia. Petrópolis-RJ: Ed Vozes. 2010, p.52

PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo: Ed Abba Press. 2002, p.61,67  


Esse Apóstolo ensina: “eis que lhes digo um mistério: nem todos dormiremos [morreremos], mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta... os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados” (1Coríntios15:51,52). Veja o que ele diz aos Filipenses: “pelo poder que o capacita colocar todas as coisas debaixo de seu domínio, ele [Jesus] transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhante ao seu corpo glorioso” (3:21). Assim, o cristão, que deposita sua fé no sacrifício de jesus, experimentará a glória de retornar à presença de Deus com seu espírito vivificado e seu corpo glorificado, pronto para viver conforme os propósitos para os quais foi criado.

Antônio Maia – M.Div.

Direitos autorais reservados

KIERKEGAARD, Soren A. O Conceito de Angústia. Petrópolis-RJ: Ed Vozes. 2010, p.52

PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo: Ed Abba Press. 2002, p.61,67 




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