NOSSOS CATIVEIROS E A ORAÇÃO
Na iminência de Israel ir
para o cativeiro babilônico (586 a.C.), o profeta Jeremias registrou, em seu
livro, palavras amorosas da parte de Deus aos judeus, mesmo estando eles
distantes dele por causa de pecados. O SENHOR disse: “então vocês clamarão a
mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando
me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês,
declara o SENHOR, e os trarei de volta do cativeiro” (Jeremias 29.12 e 13).
Essas palavras divinas,
embora tão antigas, continuam válidas até hoje para nós, cristãos. Como o
Israel do tempo de Jeremias, muitos de nós, que seguem a Cristo e conhecem a
Deus, estão longe dele por causa de pecados em seu íntimo. Se fizerem uma autoanálise,
verificarão o quanto se distanciaram de Deus por causa das influências do
estilo de vida do mundo caído que se estabeleceu após o pecado original. Mas,
como o filho pródigo da parábola de Jesus (Lucas 15.11-32), se olharem para
dentro de si, enxergarão esse desvio espiritual e retornarão para o SENHOR,
pois o “ser” de Deus nos atrai.
Hoje, muitos de nós, de
certo modo, estão em uma espécie de cativeiro causado pelo pecado e, por isso,
precisam procurar a Deus. E o acharão, não por causa de suas capacidades, mas
porque Ele se deixará ser encontrado. E Ele faz isso por causa de seu amor para
com os seus filhos. Deus é Pai (Mateus 6.9). Veja o que disse o Apóstolo Paulo
sobre o amor de Deus pelos que seguem a Cristo: “aquele que não poupou seu
próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará com ele, e de
graça, todas as coisas?” (Romanos 8.32). Recebemos Deus, por causa de Cristo,
sua presença, seu amor e seu perdão.
Mas, como encontraremos
Deus, nós que já o temos, em Cristo? O próprio SENHOR nos responde essa
questão. Ele mesmo nos revela o caminho da oração. Ou seja, movendo o nosso
íntimo, o mais profundo de nosso ser em direção a Ele, com inteireza de
propósito ou, como Ele mesmo disse, “de todo o coração”. O SENHOR mesmo nos
ensinou o caminho até Ele, ao dizer: “vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e
eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão”. A oração nos leva ao encontro
com Deus.
O ato de falar com Deus,
ao tempo que nos fortalece espiritualmente, revela-nos a transcendência de
seguir a Cristo. Por isso devemos dispor-nos a orar. Mas é preciso reconhecer
que a vida consagrada não é fácil. O cristão, embora tenha seu espírito restaurado
no “novo nascimento” (João 3.3), habita um corpo que clama pelo pecado. Só na
ressurreição dos mortos é que ele receberá um corpo, glorificado, semelhante ao
de Cristo, retornando à perfeição, na qual foi criado.
É o que diz a sagrada
Escritura: “Irmãos, eu lhes declaro que carne e sangue não podem herdar o Reino
de Deus, nem o que é perecível pode herdar o imperecível. Eis que lhes digo um
mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados...” (1
Coríntios 15.50, 51). Aos Filipenses, Paulo escreve: “nossa cidadania, porém,
está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o salvador, o Senhor Jesus
Cristo. Pelo poder que o capacita a colocar todas as coisas debaixo do seu
domínio, ele transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhante
ao seu corpo glorioso” (Filipenses 3.21).
Por esse motivo, há, no
cristão, essa dificuldade de viver santamente e dedicar-se a Deus “de todo o
coração”. O apóstolo Paulo fala do que ele chama de “carne”, isto é, a velha
natureza pecaminosa do homem. Escrevendo aos Gálatas, ele disse: “pois a carne
deseja o que é contrário ao Espírito; o Espírito, o que é contrário à carne.
Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que
desejam” (Gálatas 5.17). Note, há uma luta espiritual em nós. Aquele a quem
mais alimentarmos a vencerá.
Falando sobre essa mesma
questão, aos Romanos, Paulo, diz: “sei que nada de bom habita em mim, isto é,
em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo
realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero
fazer, esse eu continuo fazendo” (Romanos 7.18,19). O apóstolo mostra que o
cristão deseja a santidade. Ela é a sua resposta de amor a Cristo, pois Ele
cumpriu toda a Lei, assumiu a culpa de seus pecados e recebeu o devido castigo em
seu lugar. Porém, ele confirma que o seguidor de Cristo, como já dito, encontra
dificuldades nesse propósito.
Assim, por vezes, o
cristão cai. Contudo, não desiste, pois agora ele vive para Deus. O crente em
Cristo compreende que Jesus “morreu por todos para que aqueles que vivem já não
vivam mais para si mesmos, mas para aqueles que por eles morreu e ressuscitou”
(2Coríntios 5.15). Esse sofrimento de Jesus constitui a justiça de Deus que nos
salva da morte eterna. Está escrito que Deus “o ofereceu como sacrifício para
propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça... a fim
de ser justo e justificador daqueles que têm fé em Jesus” (Romanos 3.25,26).
É claro que isso é algo,
absolutamente, incompreensível ao ímpio. Nós, porém, que somos de Cristo,
entendemos porque cremos e o amor da Trindade por nós nos motiva à vida de
devoção. Assim, nessa disposição de vida, o apóstolo Paulo nos aconselha:
“vivam pelo Espírito e de modo algum satisfarão os desejos da carne” (Gálatas
5.16). As nossas orações e as intercessões do Espírito por nós (Romanos 8.26)
nos fortalecem. Elas nos ajudam a perceber os estímulos e as orientações dessa
Pessoa da Trindade (o Espírito) em nossa caminhada de amor a Deus.
E o que mais nos
impressiona, nisso tudo, é que “não temos um sumo sacerdote que não possa
compadecer-se de nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por
todo tipo de tentação, porém sem pecado”. Então, não podemos ter medo.
“Aproximemo-nos do trono da graça com toda confiança, a fim de recebermos
misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento de necessidade”
(Hebreus 4.15,16). Por essa razão, e outras, entendemos o que Paulo quis dizer
quando falou: “o amor de Cristo nos constrange” (2 Coríntios 5.14).
Antônio Maia – Ph.B. - M.Div.
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