Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de setembro, 2019

RELIGIOSIDADE MORTA E VIDA ESPIRITUAL

A falta de uma vida íntima com Deus por meio da oração, da reflexão em sua Palavra e da busca pela santidade pode levar o cristão à idolatria e a transformar-se em mero frequentador de igreja, cumpridor de rituais e servo de uma cultura eclesiástica que, por vezes, o distancia de Deus. O profeta Jeremias mostra isso, em sua dura profecia aos seus contemporâneos, momentos antes do Reino de Judá ser levado cativo para a Babilônia, em 586 a.C.. Os judeus, embora vivendo longe de Deus, em pecado, sentiam-se seguros quanto a sua salvação por causa de sua prática religiosa. Mas Deus, pela boca do profeta, falava que seus holocaustos de nada valiam, pois não eram acompanhados de sincero arrependimento e alegre obediência (7.21-23). Dizia o SENHOR, por meio do profeta: “vocês pensam que pode roubar e matar, cometer adultério e jurar falsamente, queimar incenso a Baal ... e depois vir e permanecer perante mim neste templo, que leva o meu nome, e dizer: estamos seguros!” (7.9).

NOS CRIASTES PARA VÓS

Santo Agostinho (354-430), teólogo e filósofo cristão africano, em sua obra Confissões, disse que procurou a felicidade e o sentido da vida nas paixões humanas. Mas isso só lhe trouxe angústia e aflição a ponto de considerar-se “um lugar de infelicidade, onde não podia permanecer... mas de onde não podia afastar-se” [1]. Depois de muita busca e luta interior, encontrou-se com Deus e pôde, então, declarar: “nos criastes para Vós e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousar em Vós” [2]. A experiência dele é a de todos nós, pois o homem é um ser voltado para Deus. A Arqueologia e a História atestam que a expressão religiosa é um traço característico da humanidade, observado até nas culturas e povos mais antigos. Mesmo na sociedade científica e tecnológica de hoje, nota-se esse fenômeno. Há religião por toda parte, onde quer que se ande e, às vezes, inúmeras numa mesma área geográfica [3].  Mas esse exorbitante número de religiões não significa que o homem ande com Deus.

A NATUREZA DA FÉ CRISTÃ

Qual a natureza da fé cristã? Essa é uma questão ampla que pode ser tratada sob diversos aspectos. Por essa razão, nesta postagem, vou ater-me a falar dela, da fé cristã, apenas enquanto estrutura de conceitos e disposição do espírito humano para crer e aproximar-se de Deus. Esse tema guarda especial relevância, pois só pela fé o pode alcançar Deus. A fé é a linguagem pela qual lemos e entendemos Deus.  A fé cristã é o termo usado para designar a grande estrutura de conceitos, eventos, narrativas e personagens que aparecem no processo de Revelação divina à humanidade. Ela afirma que o mundo e o homem foram criados por Deus; que o ser humano viveu um tempo na presença divina, em estado de perfeição; que ele, numa decisão própria, afastou-se do Criador e perdeu-se, vindo a deteriorar-se e a viver num processo de corrupção física e espiritual que culmina na morte (Gênesis 1-3). Ela também professa que o próprio Criador entrou na humanidade, por meio do Filho, para abrir um caminho que