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Mostrando postagens de setembro, 2020

A VIDA COMO CULTO

  Nós, cristãos, estamos acostumados à ideia de culto como celebração dominical, que realizamos no templo, para adorar a Deus. Tal reunião, de fato, constitui importante expressão de adoração e é indispensável para a vida e a comunhão dos fiéis. O Apóstolo Paulo, porém, ensina, na carta aos Romanos, que adorar ao SENHOR envolve muito mais do que aquilo que fazemos, na igreja. Ele disse: “... se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês” (12.1).     O sacrifício de animais constituía o centro da adoração no culto judaico e apontava para a morte de Cristo em favor da humanidade. Assim, o Apóstolo nos ensina que o culto a Deus é mais que cantar hinos, ofertar e ouvir a homilia no templo. Compreende o sacrifício de nós mesmos em renúncia ao estilo de vida do mundo que consiste no culto ao poder, à riqueza, à glória, que despreza o outro e tudo o que é sagrado.   Fazer isso não é fácil, por isso mesmo constitui um sacrifício, que o apóstolo

A INEXORÁVEL PRESENÇA DA MORTE

  Embora, todo dia, morram cerca de 147 mil pessoas no mundo [1] , não conseguimos nos acostumar com a morte. De vez em quando, somos aterrorizados por ela com notícias de acidentes naturais, desastres aéreos e barbáries de guerras. Mas logo esquecemos tudo e voltamos a viver como se ela não existisse. O filósofo cristão Karl Jaspers, escrevendo sobre ela, disse: “...vivendo, não acreditamos realmente na morte, embora ela constitua a maior de todas as certezas” [2] .   Por que agimos assim? Porque o que mais desejamos, neste mundo, é viver. O que mais queremos, nesta vida, é ser e a ideia de não ser, impressa pela morte, nos aflige. A noção de existência que temos, contudo, se restringe à vida entre os limites: nascimento e morte. Não temos lembranças de nosso nascimento, pois, segundo Jasper “quem se reconhece existindo tem a impressão de que sempre existiu”. Por isso, em que pese sua presença inexorável entre nós, vivemos como que inconscientes a ela, como se fôssemos eternos.   

FÉ E RACIONALIDADE

  Esse tema da natureza da fé cristã é abrangente e, por isso, pode ser tratado, a partir de diversos aspectos. Neste texto ele é abordado à luz do pensamento do filósofo cristão Sören Aabye Kierkegaard. Ao citar o nome desse pensador e teólogo dinamarquês, logo se conclui que a fé cristã será analisada, aqui, a partir do aspecto intrínseco de sua irracionalidade.  Devido à extensão do problema, será apresentada uma argumentação atinente, apenas, à encarnação de Deus.   É notório que Kierkegaard repudia, de forma enfática, em sua complexa literatura, a razão em favor de um comprometimento não racional, isto é, em favor da fé na graça divina. A razão, essa capacidade de a mente humana chegar a conclusões a partir de pressuposições e premissas, não alcança a Verdade que vem pela Revelação. De acordo com o teólogo suíço Emil Brunner, ela “não nos é dada para conhecer Deus, mas para conhecer o mundo”.   Por isso, Kierkegaard se posicionou contrário à tendência intelectual de teólogos e

NOS CRIASTES PARA VÓS

  Santo Agostinho (354-430), teólogo e filósofo cristão africano, em sua obra Confissões, disse que procurou a felicidade e o sentido da vida nas paixões humanas. Mas isso só lhe trouxe angústia e aflição a ponto de considerar-se “um lugar de infelicidade, onde não podia permanecer... mas de onde não podia afastar-se” [1]. Depois de muita busca e luta interior, encontrou-se com Deus e pôde, então, declarar: “nos criastes para Vós e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousar em Vós” [2]. A experiência dele é a de todos nós, pois o homem é um ser voltado para Deus. A Arqueologia e a História atestam que a expressão religiosa é um traço característico da humanidade, observado até nas culturas e povos mais antigos. Mesmo na sociedade científica e tecnológica de hoje, nota-se esse fenômeno. Há religião por toda parte, onde quer que se ande e, às vezes, inúmeras numa mesma área geográfica [3].  Mas esse exorbitante número de religiões não significa que o homem ande com Deus. Ao cont