Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de março, 2020

O MISTÉRIO DE CRISTO

Os sinóticos, isto é, os evangelhos que apresentam uma mesma visão sobre Jesus Cristo, narram um episódio em que Jesus e seus discípulos decidem atravessar o mar da Galileia. A uma certa altura da travessia, levantou-se um forte vendaval, de tal modo, que o evangelista Lucas disse: “eles corriam grande perigo” (8:23). Mas, segundo Marcos, “Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro” (4:38). Foram, então, a Jesus, que acordando, “repreendeu os ventos e o mar, e fez-se completa bonança” (Mateus 8:26). Esta breve narrativa, constante dos três primeiros evangelhos, aponta para três questões teológicas da maior relevância para a fé cristã. A primeira questão que salta aos olhos é o mistério de Cristo. Após aquele feito de Jesus, os discípulos se perguntavam: “quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?”. A segunda é a condição humana. As três narrativas mostram os discípulos dominados pelo pavor da morte. E, por fim, há a temática da necessidade humana d

O CORAÇÃO TEM RAZÕES...

Foi na primeira metade do século XVII que surgiu a figura do importante matemático francês e filósofo cristão Blaise Pascal (1623-1662). Embora fosse um homem de ciência, não se envergonhava de posicionar-se como cristão diante da sociedade de sua época. A Europa, de então, encontrava-se dominada pelos pensamentos racionalistas e empiristas inaugurados, respectivamente, por René Descartes (1596-1650) e Francis Bacon (1561-1626) . Nesses novos modelos epistemológicos, um conhecimento só podia ser considerado verdadeiro e válido se fosse fundamentado na razão e comprovado pela experiência. Isso provocou questionamentos sobre a validade do conhecimento que vem pela Revelação. Como explicar, por exemplo, pela razão e pelo experimento, Deus, a encarnação do Filho, a ressurreição de Jesus Cristo? Re speitado na comunidade científica, Blaise Pascal se retirou por quatro anos para dedicar-se à teologia e à filosofia, quando produziu textos que até hoje inspiram e influenciam pes

PARA O LOUVOR DA SUA GLÓRIA

O Salmo 17 é o menor Salmo da Bíblia. Todo o seu conteúdo é este: “louvem o Senhor, todas as nações; exaltem-no, todos os povos! Porque imenso é o seu amor leal por nós, e a fidelidade do Senhor dura para sempre. Aleluia!”. Embora pequeno, é um salmo que faz referência a duas questões da maior relevância teológica: a razão da existência humana e a universalidade da ação divina no mundo.  O homem, após o pecado original, perdeu-se de Deus e de si mesmo [1]. Vive a construir um mundo que lhe dê sentido. Mas, depois de milênios, ainda não conhece a razão da existência. O salmista, contudo, começa falando, exatamente, a esse respeito. Ele diz: “louvem o Senhor, todas as nações; exaltem-no, todos os povos!”.  Ele diz isso porque entende que os povos e as nações, isto é, o homem existe para o louvor da glória de Deus. De fato, o Apóstolo Paulo diz, em sua carta aos Efésios, que Deus, em Cristo, está separando um povo para “o louvor de sua glória” (1:12,14). Não que Deus seja um ser ti