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Mostrando postagens de outubro, 2020

O HOMEM EM BUSCA DE SI

  Não resta dúvida de que o homem é um ser desorientado e perdido em sua existência. Não sabe de onde vem, nem para onde vai e muito menos por que está no mundo. De acordo com a Bíblia, tal condição se estabeleceu quando, no princípio, o ser humano se afastou de seu Criador. Por essa razão, vive a reformular-se em diversos “eus”, como quem anda em busca de seu eu original. Alguns filósofos cristãos como Santo Agostinho, Blaise Pascal e Soren Kierkegaard refletiram sobre essa questão e podem nos ajudar no desenvolvimento dessa ideia.   Agostinho, por exemplo, confessa que viveu um tempo distante de Deus: “me dissipei e me reduzi ao nada, afastando-me da vossa unidade para inúmeras bagatelas [1 ]. As paixões e as muitas atividades nos levam para longe não apenas de Deus, mas também de nós mesmos. Perdemos o eu que éramos na presença de Deus, quando nos afastamos dele. Agostinho, então mostra como o homem não conhece ele mesmo. Ele escreve: “por isso, enquanto peregrino longe de Vós, es

A CRIAÇÃO E O CONHECIMENTO DE DEUS

  Pode o homem conhecer a Deus fora da “revelação especial” dada por Ele à humanidade, por meio dos profetas e do Filho, Jesus Cristo? Ou seja, pode o ser humano alcançar a salvação de sua alma pelo conhecimento de Deus que vem pela Criação, o que os estudiosos chamam de “revelação geral”? Essa questão é relevante pois, ao tempo em que aponta o interesse divino pela humanidade caída, procurando a ela revelar-se, mostra o homem como um ser perdido, no mundo, separado de seu Criador. É fato que quando o ser humano olha para a imensidão do universo, sente-se perdido e desorientado, pois não sabe quem o colocou ali. É como se ele estivesse em um fosso existencial. Não sabe de onde veio, para onde vai e qual a razão de estar no mundo. Sua essência original se desestruturou. Sendo uma síntese unitária de matéria e espírito, seu corpo, na condição pós Queda, progride em direção à morte e seu espírito já se encontra morto, pois se desligou de seu Criador. Ao morrer, ao deixar esse fosso, aquel

A TRIUNIDADE DE DEUS

Que sabemos sobre Deus? Todo dia fechamos nossos olhos para orar, mas nem sempre nos damos conta de que estamos falando com o Criador. Todo domingo vamos ao templo para adorá-lo e, lá, cantamos, ofertamos, ouvimos a homilia, mas fazemos tudo de um modo tão automático que nem percebemos que estamos adorando a Deus. Temos uma percepção e uma consciência muito fraca de Deus em nossa vida de adoração. Isso ocorre porque não o conhecemos, não temos intimidade com Ele, pois Ele não constitui o centro de nossa devoção. Muitas vezes praticamos os atos de devoção para a nossa particular satisfação. Agimos assim porque vivemos para nós mesmos e pouco pensamos sobre Ele. Deus não está na base de nosso pensamento  Um aspecto do “ser” de Deus é que Ele é uma Trindade, isto é, é um Deus em três pessoas, três seres distintos. Não se trata de três deuses como no paganismo, mas de um único Deus em três pessoas coiguais e coeternas que compartilham da mesma essência. Esse é um ensino do Antigo Testament