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Mostrando postagens de agosto, 2020

OS CAVALEIROS DO APOCALIPSE

  Jesus, em um de seus últimos discursos aos discípulos, próximo ao templo de Jerusalém, falou de um período da História humana, sem precedentes, marcado por grande sofrimento e angústia. Ele disse: “porque haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá” (Mateus 24: 21). De acordo com o Apóstolo João, esse período começará com o aparecimento da emblemática figura dos quatro cavaleiros do Apocalipse.   É claro que não se trata, exatamente, de cavaleiros, mas de acontecimentos apresentados de forma estilizada nos moldes da literatura apocalíptica que é altamente simbólica. Esses acontecimentos constituem os quatro primeiros selos do livro que Jesus recebeu das mãos de Deus, o Pai (5:7). Nesse livro, constam as ordens divinas para a destruição sistema humano, caracterizado pelo pecado e idolatria para posterior implantação de uma nova ordem de coisas com “novos céus e nova terra” (21:1). Essas ordens aparecem nas formas de “set

APOCALIPSE: NARRATIVA

O livro de Apocalipse é, de fato, de difícil compreensão. Não é fácil entender até mesmo a linearidade de sua narrativa. Veja, por exemplo, que, depois de toda a destruição que acontece durante a Grande Tribulação, espera-se que venham “os novos céus e nova terra” (21:1), ou seja, o fim. Mas não, o que vem é um reino de mil anos com Cristo reinando, na Terra, enquanto Satanás está preso. Só depois desse período, após ele ser solto e enganar as nações, novamente, e ocorrer uma batalha final e Satanás ser “lançado no lago de fogo” é que vem o juízo final e a restauração da criação com “os novos céus e nova terra”. Isso indica que Apocalipse não pode ser interpretado literalmente, pois, como literatura apocalíptica, sua narrativa não é sequencial. É a compreensão de Apocalipse 20:1-6 que abre o entendimento de toda a profecia.  Por essa razão, cada interpretação apresenta uma sequência diferente de eventos. No entanto, aqui, será dado a sequência que aparece no livro, não considerando a

APOCALIPSE: INTERPRETAÇÕES

  O livro de Apocalipse apresenta uma complexa narrativa. Por essa razão recebe uma diversidade de interpretações. Seu texto contém elementos da literatura epistolar, apocalíptica e profética. Há quem o veja em uma perspectiva, meramente, idealista , isto é, ele não trata de acontecimentos históricos. Seus quadros simbólicos contêm, apenas, verdades espirituais referentes ao conflito entre o Reino de Deus e as forças espirituais do mal [1]. É claro que essa é uma interpretação precária, pois é fácil observar, nesse texto joanino, a existência de eventos concretos passados e futuros em sua narrativa. Outros, dentro de uma visão preterista , defendem que ele foi escrito para encorajar a igreja do primeiro século que passava por perseguições. Estudiosos do texto grego, na Europa, aceitam essa interpretação. É fato, e o próprio texto confirma, que esse livro foi escrito para as “...sete igrejas da província da Ásia” (1.4), que eram igrejas reais visitadas por João. Por esse motivo, é acei

FÉ E RAZÃO EM BLAISE PASCAL

  Foi na primeira metade do século XVII que surgiu a figura do importante matemático francês e filósofo cristão Blaise Pascal (1623-1662). Embora fosse um homem de ciência, não se envergonhava de posicionar-se como cristão diante da sociedade de sua época. A Europa, de então, encontrava-se dominada pelos pensamentos racionalistas e empiristas inaugurados por René Descartes (1596-1650) e Francis Bacon (1561-1626). Descartes (1596 - 1650), considerado por muitos como o fundador da Filosofia Moderna, revolucionou o pensar filosófico com sua obra O Discurso do Método. Nela, esse filósofo   afirma que se propôs a buscar “o verdadeiro método para chegar ao conhecimento de todas as coisas”. Seu método, que era constituído por quatro preceitos que ele os chamou de “cadeias de razões”, era fundamentado, unicamente, na razão (DESCARTES, 2017, p.20). Já Bacon (1561 - 1626), junto com Galileu Galilei, assegurou a autonomia plena da Ciência em relação à Teologia e à Filosofia, até então a elas subo