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Mostrando postagens de novembro, 2020

COMPREENDENDO GÊNESIS 1

  O leitor iniciante da Bíblia ou alguém que, fortuitamente, resolve lê-la pode encontrar certas dificuldades logo em sua primeira página. Como entender, por exemplo, que Deus criou o universo em apenas seis dias? E como pode a luz ter sido criada no primeiro dia se os corpos celestes que a irradiam só surgiram no quarto? Essas e outras questões podem desanimar o leitor que ainda não foi educado no conhecimento da Revelação divina. É compreensível que uma pessoa de nossos dias leia certas passagens bíblicas e não encontre nelas sentido. Isso ocorre porque ela vai ao texto sagrado com as lentes do mundo de sua época. Seu pensamento é formatado com os pressupostos de uma sociedade científica e tecnológica, bem diferente daquela para a qual os textos bíblicos foram escritos. Gênesis 1 é um texto antiquíssimo que pode ter cerca de 3,5 mil anos e que foi destinado a uma comunidade de escravos hebreus, no antigo Egito. Os anseios e as expectativas dos primitivos leitores e dos atuais ante

UM CORPO GLORIFICADO

  Por que os seres humanos morrem? Por que existe a morte na humanidade? De acordo com as Escrituras, o homem foi criado perfeito de modo que sua compleição original suportava até a presença do seu Criador. Diferente dos anjos, que são seres espirituais, os seres humanos são constituídos de “uma síntese de espírito e matéria” [1], uma unidade psicossomática. Diz o texto sagrado: “Então o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente” (Gênesis 2:7; Jó 27:3; 33:4). Essa união do espírito à matéria é um dos grandes mistérios do ser do homem. O pensador cristão, francês, Blaise Pascal refletindo sobre essa questão, observa: “afinal, o que é o homem na natureza?... O homem é em si mesmo o objeto mais prodigioso da natureza, pois não pode conceber o que é ser corpo e menos ainda o que é ser espírito e ainda menos de que modo um corpo pode estar unido a um espírito. É esse o cúmulo da dificuldade máxima e, não obstant

A MINHA HORA

  De acordo com o Apóstolo João, Jesus, logo no início de seu ministério, fez um milagre que impactou a muitos: a transformação de água em vinho, em um casamento, na cidade de Caná. Nessa ocasião, em conversa com sua mãe, Ele falou uma frase surpreendente: “a minha hora ainda não chegou” (João 2:4). O que Jesus queria dizer com aquelas palavras? Fato é que este assunto, “a hora de Jesus”, aparece em diversas partes das narrativas dos evangelhos (Mateus 26:45; Marco 14:41; Lucas 22:53; João 2:4;7:6,30; 8:20;12:23,27;13:1;16:32;17:1). Qual o seu significado? Qual a sua relevância?  Foi nesse contexto que o Apóstolo amado registou que os irmãos de Jesus, por ocasião da festa judaica das cabanas, sugeriram a Ele para ir para Jerusalém e se mostrar a todos, pois Ele não devia fazer seus milagres e pregações em segredo. Ele devia, antes, se mostrar ao mundo. Mas, segundo João, “Jesus lhes disse: para mim ainda não chegou o tempo certo; para vocês qualquer tempo é certo” (João 7: 3-6). De fat

POR QUE EXISTE O MAL ?

  Observando o cenário mundial, nota-se a humanidade mergulhada em um processo de contínuo sofrimento. Há fome e guerras em diversas regiões do planeta afligindo massas populacionais. Vez por outra, catástrofes naturais tiram a vida de milhares de pessoas. O próprio homem aflige seu semelhante nas relações interpessoais. Vem-nos, então a pergunta: “sendo Deus bom, e tendo feito todas as coisas boas, de onde vem o mal?”.  Essa questão foi levantada pelo pensador cristão Santo Agostinho, em sua obra Confissões, dentro do contexto da análise sobre o problema do mal no gênero humano. Ela é uma das mais complexas para a Teologia. Em suas análises e reflexões, o Bispo de Hipona escreveu: “procurei o que era a maldade e não encontrei uma substância, mas sim uma perversão da vontade desviada da substância suprema – de Vós, ó Deus – e tendendo para as coisas baixas ...” [1]. O que aquele grande estudioso estava falando era que Deus não criou o mal, mas ele veio a existir por um desvio da vontad