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Mostrando postagens de maio, 2018

A “ESPIRITUALIDADE” DOS CORLEONES

A “ESPIRITUALIDADE” DOS CORLEONES Quem já assistiu ao filme “O Poderoso Chefão” se lembra da cena do batismo do filho da irmã de Michael Corleone (Al Pacino), que substituía seu pai Don Vito Corleone (Marlon Brando) nos negócios mafiosos da família. Enquanto o sacerdote procedia o ritual do sacramento, no qual Michael confirmava sua fé em Deus, na Igreja e dizia que renunciava ao pecado, chefões mafiosos de Nova York, seus inimigos, eram cruelmente assassinados por sua ordem. Essa cena desse emblemático filme do cineasta Francis Coppola nos faz refletir sobre o significado do que é ser cristão. Dominado pelo ódio contra os que tramaram um atentado para tirar a vida de seu pai, Michael vai a um compromisso religioso e age como se tudo estivesse bem, sabendo, porém, que pessoas, naquele exato momento, estavam sendo mortas por seu mandado. Embora a natureza de seus negócios fosse anticristã, a família Corleone agia com a naturalidade e a decência de pessoas de fé. É claro que

EXILADO EM UMA NOVA EXISTÊNCIA

Em nosso livro O Homem em Busca de Si – Reflexões Sobre a Condição Humana na Parábola do Filho Pródigo defendemos a tese de que a Queda alterou a natureza original do homem, corrompendo os planos tempo/espaço e corpo/espírito que caracterizam seu ser. Ela distanciou o ser humano de si mesmo e o levou a exilar-se em uma nova existência. Tanto Adão quanto o filho pródigo se impuseram a um autoexílio ao comer o fruto proibido e ao deixar a casa paterna. Nessa nova condição, separado de Deus e da vida que tinha, o ser humano é apenas um prisioneiro no tempo, no mundo, no corpo e em si. Ao contemplar o universo, o homem se percebe um estranho nele. Criado para geri-lo (Gn1.28; 2.15,19,20), era dotado de grande conhecimento sobre ele, mas agora nada sabe. O relâmpago, o trovão e a imensidão do mar o assustam. A mudança em seu ser, causada pela Queda, fez o ser humano sentir-se banido neste mundo. Albert Camus, filósofo francês, ao refletir sobre essa questão, disse: “... toda ciênci

AUTOMATISMO E DEVOÇÃO

Vivemos em mundo de muita ciência e tecnologia. Há máquinas por todos os lados. Muitas vezes atuamos como extensões delas e até falamos com elas. Tudo acontece em um ritmo acelerado e mecânico de tal modo que nossas ações diárias são rígidas e repetitivas. Acordamos todos os dias para fazer as mesmas coisas. Muitos de nós já se transformaram em máquinas humanas, vivendo no "modo automático", desempenhando as mesmas rotinas sem pensar. Como expressar a devoção a Deus em meio a esse contexto? É preciso cuidado para não entrarmos nesse processo de coisificação do ser humano e levarmos esse modelo para a vida de devoção. Não é difícil perdermos a consciência de nós mesmos e nos tornarmos autômatos religiosos. Muitas pessoas, por exemplo, oram sem a consciência de que estão falando com Deus, o Criador? Quantos vão ao culto, cantam, ofertam, ouvem a homilia, mas, no íntimo, não cultuam verdadeiramente a Deus? Sem perceberem, suas expressões de adoração já se transformar