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O CORAÇÃO TEM RAZÕES...




Nesses novos modelos epistemológicos, um conhecimento só podia ser considerado verdadeiro e válido se fosse fundamentado na razão e comprovado pela experiência. Isso provocou questionamentos sobre a validade do conhecimento que vem pela Revelação. Como explicar, por exemplo, pela razão e pelo experimento, Deus, a encarnação do Filho, a ressurreição de Jesus Cristo?

Respeitado na comunidade científica, Blaise Pascal se retirou por quatro anos para dedicar-se à teologia e à filosofia, quando produziu textos que até hoje inspiram e influenciam pessoas. Em sua obra “Pensamentos”, percebe-se que ele entende que a fé em Cristo não exclui o pensamento racional, no entanto, ele afirma que “o coração tem razões que a própria razão desconhece” [1].

O que ele queria dizer era que “é o coração que sente Deus e não a razão. Eis o que é fé: Deus sensível ao coração e não à razão” [2]. Sem desmerecer, contudo, a razão como brilhante cientista que era, Pascal destacou um aspecto filosófico, relevante: os limites da razão. Ele afirmou: “o último passo da razão é reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a supera. Se não chegar a conhecer isso, ela é fraca. Se as coisas naturais a superam, o que dirá das sobrenaturais?” [3].

Desse modo, Blaise Pascal se alinha aos autores bíblicos, que afirmam que é no coração, isto é, no profundo de seu ser, que o homem sente Deus. O profeta Jeremias, por exemplo, dirigindo-se aos judeus que se encontravam perdidos e desorientados, no cativeiro babilônico, disse: “vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração” (29.13). O Apóstolo Paulo, por sua vez, escrevendo aos cristãos de Éfeso, disse: “oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos” (1.18).
[1] PASCAL, Blaise. Pensamentos. São Paulo, Abba Press, 2002, p.50
[2] Idem, p.50
[3] Ibidem, p.51
Antônio Maia – M. Div.
Direitos autorais reservados

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