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A VIDA COMO CULTO

 



Nós, cristãos, estamos acostumados à ideia de culto como celebração dominical, que realizamos no templo, para adorar a Deus. Tal reunião, de fato, constitui importante expressão de adoração e é indispensável para a vida e a comunhão dos fiéis. O Apóstolo Paulo, porém, ensina, na carta aos Romanos, que adorar ao SENHOR envolve muito mais do que aquilo que fazemos, na igreja. Ele disse: “... se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês” (12.1).  

O sacrifício de animais constituía o centro da adoração no culto judaico e apontava para a morte de Cristo em favor da humanidade. Assim, o Apóstolo nos ensina que o culto a Deus é mais que cantar hinos, ofertar e ouvir a homilia no templo. Compreende o sacrifício de nós mesmos em renúncia ao estilo de vida do mundo que consiste no culto ao poder, à riqueza, à glória, que despreza o outro e tudo o que é sagrado.  Fazer isso não é fácil, por isso mesmo constitui um sacrifício, que o apóstolo chama de “razoável” (logiken), um culto racional, a vida como adoração a Deus.    

Para Paulo, devemos viver, nesse mundo, conforme o padrão que é Cristo. Isso, contudo, não significa uma vida triste e alienada de nosso tempo. Constitui, sim, uma contracultura cristã em reação ao modo de vida sem Deus da sociedade global em que estamos inseridos.  Podemos apreciar as artes, os esportes, nos divertimos com nossos amigos e família, buscarmos a felicidade, nos dedicarmos aos estudos, aos negócios, mas sempre com Deus na base de nosso pensamento, dando testemunho de Cristo.  

Mas, há sempre o risco de pensarmos que o culto a Deus se resume ao que fazemos no templo da igreja. O risco de nos tornamos meramente religiosos, de confundirmos a ida ao templo, a liturgia, as doutrinas com a própria adoração a Deus. Pensar assim, significa enxergar a forma como o próprio conteúdo, isto é, a devoção a Deus. Foi o que aconteceu com o sistema religioso de Israel, à época de Jesus. Tal reducionismo é resultado da perda a visão de Deus que vem da falta de um relacionamento íntimo com Ele por meio da oração e de sua Palavra. 

Sim, devemos ir à Igreja, devemos seguir a liturgia e estudar as doutrinas, mas precisamos entender que a adoração a Deus envolve, sempre, um sentido de renúncia à vida autônoma e ao pecado, isto é, um sacrifício de nós mesmos. Deus é digno de uma adoração assim, pois a si mesmo se sacrificou, na morte de seu Filho Jesus Cristo, dando-nos o exemplo. Por isso mesmo, a expressão de culto da comunidade dos fiéis, no templo, tem seu clímax na memória do sacrifício eucarístico, isto é, na morte e ressurreição de Cristo.   

Antônio Maia – M. Div.

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