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A ESPERANÇA MESSIÂNICA NO COLÉGIO APOSTÓLICO

Conforme já comentado em outras postagens, havia em Israel, à época de Cristo, uma forte esperança messiânica. Eles aguardavam a chegada de um Rei Ungido, um líder político-nacionalista, para expulsar os romanos e restaurar o reino de Israel. Muitos viram, em Jesus, esse Messias. No episódio da multiplicação de pães, João narrou: “depois de ver o sinal miraculoso que Jesus tinha realizado, o povo começou a dizer: “sem dúvida este é o Profeta que devia vir ao mundo”. Sabendo Jesus que pretendiam proclamá-lo rei à força, retirou-se novamente sozinho para o monte” (6.14,15).

Os apóstolos também nutriam esse sentimento. No caminho para Jerusalém, onde Jesus logo seria morto, Tiago e João pediram a Jesus posições privilegiadas no reino, que eles achavam, que Jesus estava por implantar (Mc35-45). No momento da prisão de Jesus, surpreende o fato de Pedro encontrar-se armado com uma espada e chegar a ferir o servo do sumo sacerdote (Jo18.10). Ao que parece, porém, não apenas ele estava armado, pois perguntaram: “Senhor, atacaremos com espadas?” (Lc22.49). A impressão que se tem dos textos é que os discípulos pensavam que estava em curso a operação para tomar o poder romano, quando, na verdade, Jesus estava se preparando para se entregar àqueles queriam matá-lo (Lc22.2)

Entre os apóstolos existia um ou talvez dois discípulos, ex-integrantes dos zelotes. Estes constituíam um grupo de judeus zelosos na Lei, mas que pregava a luta armada contra Roma. Claramente, sabe-se de “Simão, o zelote” (Mt10.4) e, possivelmente, “Judas Iscariotes”. Estudiosos entendem que a palavra “Iscariotes” pode caracterizá-lo como “sicário”. Os sicários eram uma vertente radical dos zelotes que matavam, nas multidões, judeus simpatizantes dos romanos com adagas. Judas parece que nunca deu atenção ao ensino de Jesus, pois o traiu como um líder de rebelião (Mt26.14-16). Jesus disse aos oficiais: “estou eu chefiando alguma rebelião, para que vocês tenham vindo com espadas e varas?” (Lc22.52). 

Após a ressurreição, outro momento em que se observa essa visão equivocada sobre a pessoa de Jesus, por parte dos discípulos, é quando o Senhor aparece a dois deles, no caminho de Emaús. Durante a conversa, eles revelam sua decepção: “e nós esperávamos que era ele que ia trazer a redenção a Israel” (Lc24.21). No último momento de Cristo com os discípulos, quando Ele estava para ascender aos céus, “lhe perguntaram: “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel?” (Atos1.6). Ao que parece, os discípulos só compreenderam o mistério de Jesus depois de certo tempo, após sua ascensão. 

Jesus, de fato, era o Messias esperado. Porém, Ele rejeitava esse título por causa da conotação equivocada, que trazia, de um líder político-nacionalista de um reino terreno. Tanto era o Messias que aceitou, em várias ocasiões, ser chamado de “filho de Davi”, um título messiânico. Após sua prisão, perante o sumo sacerdote, este lhe “perguntou: “Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito?” “Sou”, disse Jesus. “E vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso vindo com as nuvens do céu.” (Mc14.61,62). A palavra "Cristo" é a tradução grega da palavra hebraica "Messias".
ANTÔNIO MAIA

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