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PEDRO E PAULO EM ATOS DOS APÓSTOLOS

O livro de Atos dos Apóstolos é o segundo volume da obra do evangelista Lucas. O primeiro constitui o terceiro evangelho. Por ser um livro extenso, sua leitura pode apresentar certa dificuldade de compreensão para o leitor iniciante. Assim, este texto expõe, em linhas gerais, aspectos que podem ajudar a compreender, como um todo, esse emocionante livro do Novo Testamento. De modo geral, é possível entender Atos a partir da atuação de dois homens de personalidade forte, porém, completamente submissos a Deus: Pedro (1 a 12) e Paulo (13 a 28).  

O Apóstolo Pedro atuou em um momento delicado da história da Igreja: seus primeiros anos. Presenciou a ascensão de Cristo (1.1-11) e a decida do Espírito Santo sobre os discípulos, fato esse que marcou o início da criação da Igreja (2.1-13). Foi ele quem fez o primeiro sermão, após o qual três mil pessoas se converteram a Jesus. Realizou “muitos sinais e maravilhas” (3; 5.12,15), enfrentou o Sinédrio (corte suprema de Israel), sofreu perseguições e prisões (5.17,18; 12.1-3).

Pedro e os outros discípulos, como judeus que eram, “todos os dias continuavam a reunir-se no pátio do templo” (2.46;3). Mas após o discurso de Estêvão, no Sinédrio, e sua consequente morte (6.8;7), “desencadeou-se grande perseguição contra a igreja” (8.1). O cristianismo, que surgira como um renovo da fé judaica, passou, aos poucos, a se afastar do judaísmo. Foi nesses difíceis dias da história da Igreja que Pedro exerceu sua liderança. Embora os judeus pensassem que o Messias era só deles, Pedro, conduzido por Deus, foi aos gentios e pregou Cristo a eles, lançando as bases do grande movimento que estava por começar sob a liderança do Apóstolo Paulo.

Paulo é o “ministro de Cristo Jesus para os gentios” (Rm15.16). Enquanto Pedro permaneceu em Israel cuidando da igreja judaica, ele partiu, império romano a dentro, pregando o evangelho aos não judeus. Lucas, que o acompanhou, registrou que ele empreendeu três viagens missionárias, chegando aos rincões do império até ser preso em Roma, por causa do evangelho, por volta do ano 60. Lá, ficou em prisão domiciliar por dois anos. Surpreendentemente, Lucas não relata a condenação ou a absolvição de Paulo. Termina sua obra dando a impressão de que o evangelho não está preso mesmo que seus mensageiros se encontrem (28.30,31).

Atos dos Apóstolos é um livro que vale à pena ser lido. Sua narrativa é um chamado ao testemunho de Cristo. É a história de homens e mulheres que tinham como mais importante que suas vidas, a missão de ser “luz do mundo” e “sal da terra”(Mt5.13). Embora traga a atuação de apenas dois apóstolos, pelo grau de comprometimento com o evangelho que seus personagens apresentam, pode-se inferir que muito mais foi realizado pela ação dos outros apóstolos e líderes. Esse livro do evangelista Lucas aponta para a Igreja, no mundo pós-moderno, o caminho a seguir: anunciar Cristo. 
Antônio Maia - M.Div.
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