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OS CAVALEIROS DO APOCALIPSE

A “grande tribulação” (7.14) é um dos muitos eventos futuros previstos na profecia de João. Trata-se de um período da história humana marcado por sofrimento e angústia, sem precedentes. Inicia com a emblemática figura dos quatro cavaleiros do Apocalipse. É claro que não são, exatamente, cavaleiros, mas acontecimentos apresentados de forma estilizada nos moldes da literatura apocalíptica. O objetivo do autor é destacar a relevância do que será revelado e resumir o fim da presente ordem mundial, que se dará em meio à guerra, fome, morte e destruição generalizadas.

A grande tribulação começa com a abertura do primeiro selo. O Apóstolo vê um cavaleiro, que empunha um arco e cavalga “como vencedor determinado a vencer” (6.1,2). Alguns estudiosos veem, nessas palavras, o espírito de beligerância que existe entre as nações que, um dia, poderá resultar em uma guerra total, um conflito nuclear de amplas proporções. A abertura dos outros três selos faz surgir os demais cavaleiros, que são consequências do primeiro: guerra, fome e morte (6.3-8).

Chama muito a atenção o fato de o quinto selo referir-se às “almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram”, na grande tribulação (6.9-11). Por que um dos selos se refere a cristãos na grande tribulação? Jesus abre, então, o sexto selo e ocorre um terremoto, um cataclismo de ordem planetária e as pessoas, agora, têm consciência de que não se trata de um fenômeno natural, mas algo vindo do próprio Deus (6.12-17). A abertura do sétimo selo, das sete trombetas e sete taças prossegue até ao capítulo dezoito.

Não há dúvida de que a grande tribulação é uma ênfase na profecia do Apocalipse. Mais da metade do livro é destinado à sua narrativa. Outros temas de interesse dos cristãos como as “bodas do Cordeiro”, o “milênio”, o “juízo final”, o “novo céu e a nova terra” são tratados em apenas poucos versículos. Dentro dessa ênfase, em meio ao sofrimento, o Apóstolo João afirma as presenças de Israel (7.1-8) e da Igreja de Cristo (6.9-11; 7.9-17). João narra: “diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas ... estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro”.

Contudo, há estudiosos que defendem que a Igreja é arrebatada antes da tribulação e que as pessoas referentes a 6.9-11 e 7.9-17 são ímpios que se converteram ou desviados que não foram arrebatados e decidiram se firmar em Cristo. Porém, cabe observar que não há um único versículo, na Bíblia, que afirme tais possibilidades. Seria bom que a Igreja não tivesse que passar pela tribulação, mas o texto sugere que passa. Não é “uma igreja” arrebatada antes da tribulação que vai reinar com Cristo. Veja o texto: “vi as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus ... eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos (20.1-6).  

É necessário uma reflexão séria sobre essa questão. Não seria essa afirmação de que a Igreja não passará pela grande tribulação fruto de um mentalidade hedonista recebida da influência do mundo? Por que Deus permitiria a Igreja primitiva passar por tão grande tribulação e poupar a Igreja do fim dos tempos? O chamado da Igreja de Cristo não é para o testemunho da fé, não é para ser luz nas trevas? Porque a Igreja seria tirada da Terra nesse momento da luta final de Cristo contras as trevas?
Antônio Maia - M.Div.
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