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A MORTE DE CRISTO



O autor do livro de Hebreus, escrevendo sobre Jesus, narrou: “portanto, visto que os filhos são pessoas de carne e sangue, ele também participou dessa condição humana, para que, por sua morte, derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo, e libertasse aqueles que durante toda a vida estiveram escravizados pelo medo da morte” (2.13,14). Neste texto, três questões se destacam: a necessidade de Deus, na pessoa do Filho, participar da condição humana, isto é, entrar no mundo; a vitória de Jesus sobre o Diabo; e o sacrifício de Jesus, na cruz, que salva da morte os seres humanos.

Com respeito à primeira questão, pode-se afirmar que o Filho entrou no mundo para libertar a humanidade da morte eterna, que se instalou, no ser humano, por ocasião do pecado original. O Apóstolo Paulo escrevendo sobre esse assunto, aos Romanos, falou: “da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (5.12).

De fato, essa é a promessa do evangelho: a vida eterna, isto é, a vida em santidade e perfeição, para sempre, junto a Deus. Veja o que disse o Apóstolo João: “porque Deus tanto amou o mundo que deu seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (3:16). Sim. O Deus Filho, Jesus Cristo, entrou no mundo para restaurar o homem à sua condição original. Mas por que isso? Por que o Filho teve que entrar no mundo para livrar a humanidade dos efeitos devastadores do pecado original? Porque do mesmo modo como Adão não obedeceu a Deus e, assim, mergulhou em uma existência separada do Criador, o ser humano, nessa nova existência, precisa obedecer ao seu Criador, guardar a sua Lei, para retornar à presença divina. Mas, como o pecado alterou sua natureza inicial, ele não consegue mais viver uma vida que agrada a Deus, uma vida de obediência a Ele.

O Criador, então, por causa de seu amor pelo homem, decidiu participar da “condição humana”, isto é, fez-se homem e entrou no mundo humano que se estabeleceu após a Queda. Ele fez isso, para, no lugar do homem caído, cumprir a Lei de divina, isto é, obedecer ao Criador em todos os aspectos, durante toda a sua vida, algo que o primeiro homem não fez. Sobre isso, o autor de Hebreus disse: “não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se de nossas fraquezas, mas sim alguém que como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (4.15).

Assim, Jesus Cristo, o Filho de Deus, perfeito homem, de carne e sangue, “rompeu com o pecado” (1Pedro 4:1), de modo que, agora, na humanidade caída, vivia um homem que nunca pecou. E Ele venceu não apenas as tentações desse mundo caído (João 16:33), mas o próprio Diabo, que tentou Adão. Em Mateus 4: 1-11, está registrado que o próprio Espírito de Deus levou Jesus para o deserto para ser tentado pelo Diabo e que Ele venceu todas as tentações do Maligno. Por essa razão o Apóstolo Paulo o chamou de “o último Adão”, que também foi tentado pelo Diabo, mas, diferente do primeiro, não caiu (1Coríntios 15:45).

A vitória de Jesus Cristo sobre o Diabo, contudo, se estabeleceu, definitivamente, na sua morte, pois, ao terceiro dia, o Espírito de Deus o ressuscitou, abrindo, desse modo, um caminho para o homem caído reencontrar-se com Deus para a vida eterna. Sim, na ressurreição dos mortos, todos que receberam Jesus como seu Senhor e Salvador (João 1:12,13) receberão um corpo glorificado semelhante ao de Cristo ressurreto, que possibilita a vida eterna na presença do Criador (Filipenses 3:21). Isso representa o fim da morte, na humanidade, causada pela entrada do pecado no homem (1Coríntios 15:54).

Mas por que Cristo teve que morrer? Deus, falando por meio do profeta Ezequiel, disse: “a alma que pecar, essa morrerá” (18:4). Isso ocorre porque o homem foi criado para a vida de comunhão com Deus. Quando ele peca, ele quebra essa comunhão, ferindo a sua própria natureza original e morre. Por isso existe a morte na humanidade. Deus, então, resolveu esse problema com a morte de Jesus Cristo. Ele morre não porque pecou, mas porque, nele, em Cristo, Deus condena o pecado daqueles que o recebem como Senhor e Salvador e os torna justificados diante de si. Veja o que o Apóstolo Paulo diz: “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Coríntios 5:21). O homem é justificado, diante de Deus, do erro que cometeu pelo sacrifício do Filho de Deus.

Esse texto de 2Coríntios 5:21, segundo estudiosos, pode ser também traduzido desta forma: “Deus tornou uma oferta pelo pecado por nós aquele que não tinha pecado...” [1]. Aqui está a natureza sacrificial da morte de Cristo: o Filho deixa a sua condição divina e se faz homem; sofre todo tipo de tentação em que poderia cair, mas as vence; embora sem pecado, Ele se faz pecado por aqueles que nele crer e cumpre a pena prevista para eles, isto é, a morte.

Nisto, observa-se o grande amor de Deus pelo homem: Ele sacrifica-se a si mesmo para salvá-lo. Observe, então, que a salvação do homem do perigo da morte eterna, que se configura pela separação eterna de seu Criador, é obra exclusiva de Deus, de sua graça e seu amor pelo homem. Ao ser humano cabe, apenas, reconhecer-se pecador e voltar-se para Deus pela fé no sacrifício de seu Filho, na crus, recebendo-o como Senhor e Salvador. Antônio Maia - M.Div. Direitos autorais reservados [1] Bíblia NVI Comentada. São Paulo: Editora Vida, p. 1993.


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