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NENHUMA CONDENAÇÃO

 



Quando o homem pecou pela primeira vez, por esse ato, tornou-se inimigo de Deus. Ao fazer mal uso de sua liberdade ante a Deus, desconsiderou a orientação divina e buscou uma autonomia em um código moral próprio. O homem amou mais a si que a Deus. Ao agir assim, corrompeu sua natureza original, que fora criada para viver segundo a vontade divina, e se autocondenou à uma existência separada de Deus, marcada pelo pecado e a morte. Deus, porém, por seu muito amor, reconciliou o ser humano com Ele por meio de Seu Filho, Jesus Cristo.

Veja o que diz o Apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos: “Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida! Não apenas isso, mas também nos gloriamos em Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, mediante quem recebemos agora a reconciliação” (Romanos 5:10,11). 

Esse texto paulino revela que o amor de Deus o levou a entrar na humanidade, por meio do Filho, para salvar o homem dessa nova condição de existência, caracterizada por sofrimento e morte, da qual não poderia sair por seus próprios esforços. É nesse contexto que Paulo diz aos Filipenses que Jesus Cristo, “embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” (2:6,7). 

É por isso que o Apóstolo afirma: “seremos salvos por sua vida”. Sim, é pela vida do Filho de Deus que o homem pode salvar-se dessa existência e reencontrar-se com o Criador em sua condição original. Mas por que, então, Deus deu aos homens a sua Lei? Não pode o ser humano ser salvo pelo cumprir a Lei? Veja o que diz Paulo: “sabemos que ninguém é justificado pela prática da Lei, mas mediante a fé em Jesus Cristo. Assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pela prática da Lei, porque pela prática da Lei ninguém será justificado” (Gálatas 2:16). 

A Lei é o estilo de vida do homem original, antes da Queda. Deus a deu ao homem para mostra-lhe o quanto ele está distante de sua condição inicial. Tanto é que ninguém, nessa existência, consegue vivê-la. Muitos podem até cumprir alguns mandamentos, mas logo cairão em outros, pois a natureza humana foi corrompida. Assim, a Lei mostra que o homem não pode ser salvo por sua própria justiça, mas pela justiça que vem de Deus, isto é, por Jesus Cristo, o Filho (Romanos 10:1-4). No entanto, o Apóstolo Paulo disse que a Lei é santa e Jesus não a revogou. Por essa razão, os cristãos buscam a santidade com base em seus princípios.

Sim, é pela vida de Cristo que o ser humano pode ser reconciliado com Deus. Pois Jesus veio ao mundo, trilhou o caminho do primeiro homem, e permanecer fiel a Deus. Como Adão, Ele foi tentado pelo Diabo e não cedeu às tentações (Mateus 4). Jesus, o Filho, “como nós, passou por todo tipo de tentação, porém sem pecado” (Hebreus 4:15). Quanto à Lei, Ele disse: “não vim abolir, mas cumprir” (Mateus 5:17). Jesus foi obediente a Deus até a morte. Sobre isso, Paulo afirma: “sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” (Filipenses 2:8). Já o autor de Hebreu, disse: “embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu” (5:8). Por tudo isso, Paulo o chamou de o “último Adão” (1Coríntios 15:45). 

Desse modo, observa-se que o Deus Filho sacrificou a si mesmo em favor do Homem. Ele fez tudo o que homem caído não pode fazer. Em forma humana, venceu as tentações e viveu sem pecado, cumpriu a Lei divina e foi obediente a Deus até a morte. Deus aceitou seu sacrifício e, assim, o caminho que permite o homem caído sair dessa existência e alcançar a presença divina foi aberto (João 14:6). Por essa razão o Apóstolo Paulo afirma: “portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus”, pois em Cristo “as justas exigências da Lei” são cumpridas (Romanos 8:1-4).

E aqueles que, agora, estão “em Cristo” têm a certeza de sua redenção, tanto que Paulo afirma que nada os separa “do amor de Deus que está em Cristo Jesus” (Romanos 8: 39). Há uma rede de proteção para esses. Pois o “Espírito intercede” por eles (Romanos 8:26), e não somente o Espírito, mas o próprio Cristo também intercede “à direita de Deus” (Romanos 8:34), e, acima de tudo, é o próprio Deus quem os justifica (Romanos 8:33). Note o esforço da Trindade em favor do homem caído. Mas a Escritura testemunha que tal amor e tal graça só são alcançados pela fé no Filho de Deus.

Antônio Maia – Ph.B., M. Div. 

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